Há uma coisa mais importante do que as mais belas descobertas: é o conhecimento do método pelo qual são feitas. (LEIBNITZ)
O termo Geologia vem do grego geo, que significa terra, e logos, palavra, pensamento, ciência. A Geologia, como ciência, procura decifrar a história geral da Terra, desde o momento em que se formaram as rochas até o presente.
A geologia é uma ciência histórica. Estuda feições não–recorrentes, únicas em cada tempo, denominadas configurativas ou contingentes, resultantes de processo imanentes (por exemplo, intemperismo e erosão), que regidos por leis fÃsicas e quÃmicas, são e devem ser tratados como não – históricos.
As ciências geológicas certamente originaram-se das civilizações mais antigas, que sofriam os efeitos dos terremotos, observavam as atividades dos vulcões, contemplavam o trabalho incessante das ondas e dos mananciais de água, e sem dúvida sentiam-se curiosos pela explicação de tudo aquilo que viam. Observavam, igualmente, as conchas marinhas no alto das montanhas, os minerais de formas regulares e geométricas, e assim as observações, aos poucos, foram-se avolumando e, com elas, os problemas relativos à Terra em que vivemos.
A formação e a acumulação de bens minerais em determinada área resultam da interação, em escala adequada, dos processos geológicos que atuaram durante os estágios evolutivos da área em vista.
Quando não se podem aplicar métodos diretos de avaliação – a situação mais comum, e mais ainda nas áreas em inÃcio de exploração mineral -, a estimativa da existência e, se for o caso, da potencial abundância desses bens minerais deve, para obedecer a critérios cientÃficos, basear-se em extrapolações a partir de modelos geológicos. Pela comparação com estes modelos, procura-se reconstituir historicamente, em narração subjetiva, as condições paleogeológicas e paleogeográficas que terão prevalecido na área de interesse, e delas se extraem os fundamentos que irão permitir o balanço qualitativo, à s vezes quantitativo também, dos componentes essenciais à formação e acumulação dos bens minerais.
Esse método cientÃfico pode aparentar cunho academicista, mas, na verdade, é ferramenta intelectual indispensável na consecução de objetivos práticos. Tanto mais se acentua nos dias atuais a necessidade de tal procedimento, quanto mais profundos e disseminados se vão tornando os depósitos minerais, além de suas acumulações se dissimularem de tal maneira que não é só uma tecnologia sofisticada, mas, sobretudo, o conveniente tratamento metodológico que as pode revelar.
Entretanto, no próprio esteio do método utilizado – reprodução histórica por via de narração especulativa – reside ponderável limitação ao trabalho do geólogo, e limitação incontornável, por inerente à própria ciência geológica.
O aumento geométrico da demanda dos produtos da terra e o trabalho de pesquisa sobre a crosta terrestre, nos seus mais variados aspectos, vêm aumentando em proporções talvez paralelas. Assim é que a procura do petróleo, do carvão mineral, dos minerais metálicos e não-metálicos exige o conhecimento pormenorizado dos processos de sua formação, do tipo de rochas relacionadas, da época em que se teriam formado, e ainda o conhecimento da quantidade provável existente destes recursos.
Não menos importante é a geologia no âmbito da Engenharia, sobretudo na construção de túneis, barragens, nas fundações que deverão suportar grandes cargas, e, também, no estudo dos deslizamentos por vezes catastróficos, que podem sepultar grandes áreas e que dependem da natureza do solo e de sua estabilidade. Podem-se distinguir dois aspectos na ciência geológica, a Geologia Geral ou Dinâmica e a Geologia Histórica.
A Geologia Geral é o estudo da composição, da estrutura e dos fenômenos genéticos formadores da crosta terrestre, assim como do conjunto geral de fenômenos que agem não somente sobre a superfÃcie, como também em todo o interior do nosso planeta. Duas diferentes fontes de energia agem sobre a crosta terrestre. Uma delas provém do Sol, que age direta ou indiretamente. Graças a esta fonte de energia é que se escultura a superfÃcie do globo, constantemente modificada pelas águas e ventos, acionados pela energia solar. A este conjunto de fenômenos dá-se o nome de Dinâmica Externa. A Segunda fonte de energia provém do interior da Terra, formando e modificando sua estrutura. A Dinâmica Interna trata desses fenômenos. Estas duas fontes de energia agem independentemente, havendo, contudo, efeitos recÃprocos entre ambas.
A Geologia Histórica estuda e procura datar cronologicamente a evolução geral, as modificações estruturais, geográficas e biológicas ocorridas na história da Terra. A seqüência e a cronologia dos acontecimentos é evidenciada pelo estudo da estratigrafia(e também da geocronologia). A paleogeografia tenta sintetizar a configuração dos continentes e dos mares do passado, assim como a distribuição pretérita da vida e dos climas.
A Geologia Ambiental consiste no estudo dos problemas geológicos decorrentes da relação que existe entre o homem e a superfÃcie terrestre, assunto cuja importância vem crescendo dia a dia nestes últimos anos. As alterações do ambiente onde vivemos, provocadas pelas atividades humanas, extrapoladas para um futuro muito próximo, determinarão condições inadequadas à existência da raça humana. A agressão ao ambiente é múltipla, afetando os seres vivos e os inanimados, Assim é que a devastação das matas vem acelerando o processo da erosão, principalmente nas regiões de solo arenoso. O prejuÃzo não se restringe à perda de solo arável e inutilização de vastas áreas, mas também afeta os rios e as barragens para hidrelétricas, que vêm sendo assoreados rapidamente. Os processos erosivos são também acelerados com as construções mal orientadas de estradas e cortes para edificações diversas. Com o aumento populacional verifica-se o aumento contÃnuo da poluição generalizada. O solo arável, a atmosfera, as águas dos rios, dos lagos, dos mares, e também a água subterrânea em certos locais vêm sendo envenenados por diversos materiais, como inseticidas não biodegradáveis, herbicidas, detergentes, resÃduos industriais, gases tóxicos, etc. Sendo Ãntima a relação dos seres vivos com a litosfera, os mencionados problemas são encarados pela geologia ambiental.
A geologia possui usuários em diversos segmentos da sociedade, como em órgãos públicos federais, estaduais, municipais ou em empresas estatais que atuam nas áreas de levantamento geológico básico, na identificação e caracterização de ambientes geológicos e na compartimentação tectono-estrutural, com vistas a identificação de ambientes geológicos de alta potencialidade metalogenética, bem como de empresas privadas dedicadas a exploração mineral que, quando exitosas, levam à descoberta de depósitos econômicos de larga aplicação pela indústria de transformação. No estudo dos recursos hÃdricos, sejam eles superficiais, (estudos de bacias hidrográficas), ou subterrâneos, para promover a melhor utilização desses recursos pela humanidade.
É também de grande relevância a participação dos usuários da geologia no estudo do meio ambiente (geoambiente), que produzem programas de conservação e melhor utilização do meio fÃsico. De igual forma, o campo da geotecnia é de amplo interesse para a sociedade nas áreas de riscos geológicos, proteção de taludes, estudos e locação de barragens, estradas, etc.
Finalmente, na agricultura os usuários utilizam a geologia para a caracterização de áreas que forneçam os insumos para produção de corretivos de solos e fertilizantes.